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Sobape apoia qualificação da assistência às crianças traqueostomizadas
Publicada em 20/08/2019


 

O projeto que trata do estabelecimento de protocolo de condutas e fluxogramas de atendimento para crianças traqueostomizadas tem apoio da Sociedade Baiana de Pediatria (Sobape). O assunto, que é uma discussão mundial, foi tema de recente audiência pública na Comissão de Saúde e Seguridade Social da Câmara dos Deputados.

Como diz a presidente da Sobape, a pediatra Dolores Fernandez, “é preciso voltar o olhar para esta questão, pois não existem linhas de cuidados e atenção para as crianças e as famílias e nem mesmo códigos que contemplem as necessidades básicas dessas crianças, como a troca regular de cânulas”. A traqueostomia é um procedimento cirúrgico que estabelece comunicação direta entre a traqueia e o meio externo.

A otorrinolaringologista Nayara Lacerda, da Sobape, destaca a importância do projeto de atenção especial às crianças traqueostomizadas assinado pelas professoras Melissa Avelino (HC-UFG) e Rebecca Maunsell (Unicamp), ambas otorrinolaringologistas e pertencentes à Academia Brasileira de Otorrinolaringologia Pediátrica (ABOPe). O trabalho tem apoio da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia.

As autoras alertam que o problema das crianças já começa na triagem no SUS, “pois não há um fluxo estabelecido e a traqueostomia pode ser feita por médicos de diversas especialidades, incluindo cirurgiões torácicos, cirurgiões de cabeça e pescoço, cirurgiões pediátricos e até pelo otorrinolaringologista. E depois? Quem orienta essas mães, quem acompanha?”, questionam.

Nayara Lacerda completa dizendo que as dificuldades continuam após a alta hospitalar. “As mães e demais cuidadores precisam estar orientados e dispor de materiais de suporte para os cuidados especiais, sobretudo com a higienização para evitar infecções, complicações diversas e até evitar mortes, uma vez que a condição gera risco de vida”, explica.

Dificuldades

A médica cita outra dificuldade, relatando que muitos serviços no país ainda usam cânulas de metal, o que não é mais recomendado. “Apesar de ter uma necessidade de troca menor, a cânula de metal apresenta mais riscos de acidentes para esses pequenos pacientes, que correm, brincam e pulam em casa”, explica, lembrando que toda a rotina da casa é alterada em função da criança traqueostomizada, que enfrenta problemas de comunicação e para executar atividades usuais da faixa etária.

“A falta do fluxograma e treinamento para profissionais de saúde é outro grande problema, sobretudo para os casos de emergência. Na maior parte dos casos, trata-se de crianças menores de 2 anos e portadoras de outras comorbidades, em particular pneumopatias, prematuridade, neuropatias e alterações obstrutivas das vias aéreas superiores, e que necessitam de diversos profissionais para a melhoria da qualidade de vida”, explica Nayara Lacerda, defendendo a discussão multidisciplinar.

Principais problemas encontrados na assistência

- Obstrução da cânula e falta de material disponível para evitar situações de emergência, como sondas de aspiração e material de higienização:
- Restrição ao contato com água e partículas externas que podem entrar pela cânula;
- Necessidade de reduzir os efeitos da falta de aquecimento e filtragem do ar respirado com o uso de filtros e umidificadores;
- Necessidade de cuidado permanente para evitar o deslocamento acidental da cânula de traqueostomia e sua obstrução;
- Cuidados da pele periestomal (orifício onde fica a cânula) e na troca de fixação;
- Necessidade permanente de acesso rápido a materiais para desobstrução e/ou troca da cânula (aspiradores, sondas, gaze, cânulas novas de traqueostomia, gel lubrificante, cadarço);
- Necessidade de acesso fácil a serviço de saúde referência que disponha de materiais e pessoal habilitado para manejar a traqueostomia;
- Necessidade de um fluxograma de atendimento que estabeleça claramente o diagnóstico e a programação terapêutica com troca de informações entre os profissionais envolvidos no tratamento destas crianças;
- Reinternações por situações provocadas pela falta de material adequado para higienização da cânula como traqueítes;
- Falta de diagnóstico e encaminhamento precoces na tentativa de se evitar cirurgias abertas, já que o tratamento endoscópico traz melhores resultados em lesões agudas para decanulação.

 
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